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A Pesquisa TIC Domicílios 2025, realizada pelo Cetic.br/NIC.br sob os auspícios do CGI.br, apresenta um panorama abrangente do acesso, uso e apropriação das tecnologias digitais pela população brasileira com 10 anos ou mais. A edição de 2025 amplia o escopo da pesquisa ao incorporar indicadores inéditos sobre Inteligência Artificial (IA) generativa, conectividade significativa, governo digital e habilidades digitais, oferecendo evidências para políticas públicas e inclusão digital.

A IA assume papel central como novo indicador da maturidade digital da população. O relatório investiga quem utiliza ferramentas de IA generativa, suas finalidades e as desigualdades de acesso segundo renda, escolaridade e perfil socioeconômico. A abordagem é predominantemente institucional e estatística, articulando a transformação digital com temas como cidadania digital, produtividade, educação e desenvolvimento social.

 

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Destaques

  • A edição de 2025 incorpora, pela primeira vez na série histórica da pesquisa, indicadores nacionais sobre o uso de Inteligência Artificial generativa pela população brasileira, ampliando o monitoramento da transformação digital no país.
  • O acesso à Internet permanece elevado, mas a pesquisa demonstra que as desigualdades digitais persistem quando consideradas a qualidade da conexão, os dispositivos disponíveis e as habilidades digitais da população.
  • O uso da IA concentra-se principalmente em atividades de estudo, pesquisa, produção de textos, tradução, geração de imagens e apoio ao trabalho, indicando rápida difusão das ferramentas generativas.
  • Escolaridade, renda e faixa etária continuam sendo fatores determinantes para a adoção da IA, evidenciando que a exclusão digital passa a envolver também o acesso às tecnologias inteligentes.
  • A pesquisa reforça que competências digitais tornam-se condição essencial para que indivíduos utilizem IA de forma crítica, produtiva e segura.
  • O relatório amplia o conceito de inclusão digital ao incorporar a noção de conectividade significativa, que considera não apenas acesso à Internet, mas também qualidade, continuidade, acessibilidade e capacidade efetiva de uso.
  • Os resultados fornecem subsídios para políticas públicas voltadas à educação digital, governo eletrônico, desenvolvimento econômico e preparação da população para uma sociedade cada vez mais baseada em IA.

Observações relevantes

O relatório possui uma abordagem institucional, estatística e técnica, fundamentada em uma pesquisa domiciliar nacional de grande abrangência. Seu principal objetivo é produzir indicadores consistentes sobre o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), permitindo acompanhar tendências históricas e orientar políticas públicas de transformação digital.

A Inteligência Artificial é tratada como uma nova dimensão da inclusão digital. Em vez de restringir a análise ao acesso às ferramentas, o documento procura compreender quem utiliza IA, para quais finalidades e quais grupos permanecem excluídos desse processo. A pesquisa evita interpretações deterministas e enfatiza que os benefícios da IA dependem da existência de infraestrutura adequada, habilidades digitais e condições socioeconômicas favoráveis.

Outro aspecto relevante é a adoção do conceito de conectividade significativa, alinhado às recomendações internacionais da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e da UNESCO. O relatório argumenta que simplesmente medir usuários de Internet já não é suficiente para compreender a transformação digital, sendo necessário avaliar qualidade de acesso, dispositivos disponíveis, competências e possibilidades reais de utilização de tecnologias avançadas, como a IA generativa.

O documento indica uma mudança metodológica importante. A IA deixa de ser vista apenas como inovação tecnológica e passa a integrar o conjunto de indicadores que medem desenvolvimento digital, inclusão social e capacidade de participação na economia baseada em dados.

Achados

  • A Inteligência Artificial generativa passa a compor o conjunto de indicadores estratégicos utilizados para avaliar o estágio de transformação digital da sociedade brasileira.
  • As desigualdades históricas de renda, escolaridade e idade permanecem influenciando fortemente a adoção das tecnologias de IA, sugerindo o surgimento de uma nova dimensão da exclusão digital.
  • O desenvolvimento de competências digitais emerge como fator tão importante quanto a disponibilidade de infraestrutura para ampliar o uso produtivo da IA.
  • O conceito de conectividade significativa amplia a compreensão sobre inclusão digital ao incorporar aspectos de qualidade de acesso, autonomia e capacidade efetiva de utilização das tecnologias.
  • A rápida disseminação da IA tende a aumentar a demanda por políticas públicas voltadas à alfabetização em IA, educação midiática e qualificação profissional da população.
  • A pesquisa evidencia que a transformação digital brasileira depende cada vez mais da integração entre infraestrutura, educação, inovação e governança tecnológica.

Conclusões

A Pesquisa TIC Domicílios 2025 confirma que o Brasil atingiu um elevado nível de disseminação do acesso à Internet, mas demonstra que os principais desafios da transformação digital deixaram de estar concentrados apenas na conectividade. A nova agenda passa a envolver a qualidade do acesso, a disponibilidade de dispositivos adequados, o desenvolvimento de competências digitais e a capacidade da população de utilizar tecnologias emergentes de maneira crítica, produtiva e segura. Ao incorporar indicadores inéditos sobre Inteligência Artificial generativa, o relatório amplia significativamente sua relevância para o monitoramento da maturidade digital do país.

Sob a perspectiva da Inteligência Artificial, o documento evidencia que a IA já integra o cotidiano de parcela crescente da população brasileira, especialmente em atividades relacionadas à educação, trabalho, produção de conteúdo e busca de informações. Entretanto, os benefícios dessa tecnologia distribuem-se de forma desigual. Escolaridade, renda, idade e condições de conectividade continuam sendo fatores determinantes para o acesso às ferramentas de IA, indicando que a exclusão digital passa a incluir também diferenças na capacidade de utilizar sistemas inteligentes de forma qualificada. Nesse contexto, o fortalecimento das competências digitais torna-se tão importante quanto a expansão da infraestrutura tecnológica.

A pesquisa também reforça que a consolidação da IA como tecnologia de uso cotidiano exige políticas públicas integradas. Educação digital, alfabetização em IA, proteção de dados pessoais, transparência algorítmica e inclusão digital aparecem como componentes complementares de uma estratégia nacional de transformação digital. Inferência: à medida que ferramentas generativas se difundem entre cidadãos, empresas e órgãos públicos, cresce a necessidade de desenvolver capacidades para avaliar criticamente conteúdos produzidos por IA, compreender suas limitações e utilizá-los de forma ética e responsável.

O eixo central do relatório é a transição de uma agenda focada no acesso à Internet para uma agenda orientada pela qualidade da participação digital. A introdução da Inteligência Artificial como novo indicador da pesquisa sinaliza que o desenvolvimento digital do país passa a ser medido não apenas pelo número de usuários conectados, mas também pela capacidade da população de transformar conectividade em aprendizagem, inovação, produtividade e exercício da cidadania. Dessa forma, a TIC Domicílios 2025 consolida-se como uma referência estratégica para compreender os impactos da IA sobre a sociedade brasileira e orientar políticas públicas voltadas à construção de um ambiente digital mais inclusivo, seguro e preparado para os desafios da economia baseada em dados.